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De Minas Gerais ao Chile em um Uno: dupla aposta no improviso, na internet e na coragem para rodar quase 10 mil km

De Carmo do Cajuru ao Chile: dupla aposta em carro popular para rodar quase 10 mil km Sair de Carmo do Cajuru, no Centro-Oeste de Minas Gerais, e chegar ao Chil...

De Minas Gerais ao Chile em um Uno: dupla aposta no improviso, na internet e na coragem para rodar quase 10 mil km
De Minas Gerais ao Chile em um Uno: dupla aposta no improviso, na internet e na coragem para rodar quase 10 mil km (Foto: Reprodução)

De Carmo do Cajuru ao Chile: dupla aposta em carro popular para rodar quase 10 mil km Sair de Carmo do Cajuru, no Centro-Oeste de Minas Gerais, e chegar ao Chile em um carro popular, sem planejamento detalhado e com apenas R$ 4 mil no bolso. Foi assim que os influenciadores Renner Gonçalves de Camargos, de 26 anos e Vitor Hugo Barbosa Queiroz, de 28, decidiram transformar um sonho em realidade e em conteúdo para a internet. A viagem começou em 23 de fevereiro e terminou em 10 de março, após quase 10 mil quilômetros rodados. A dupla passou por cidades, estradas desconhecidas e perrengues que rendem boas histórias. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Centro-Oeste no WhatsApp Amigos foram de Carmo do Cajuru ao Chile em um carro popular Renner Gonçalves/Divulgação Sonho de crescer na internet Ao g1, Renner contou que a ideia nasceu da vontade de se destacar nas redes sociais. Ele já produzia vídeos de humor e pegadinhas em cidades como Carmo do Cajuru, Divinópolis e Itaúna, mas queria ir além. “Eu sempre reparei que os influenciadores fazem viagens e coisas diferentes. Então pensei: por que não fazer algo realmente fora do comum?”, disse. A ideia que parecia improvável ganhou força quando Vitor, sem pensar duas vezes entrou de cabeça no projeto. "Ele me fez o convite de viajar para longe, para outro país e eu aceitei na hora. Foi uma loucura ter aceitado, mas no fundo sabia que ia dar certo. A experiência foi única, com perrengues e alegrias. Faria de novo a qualquer hora", contou Vitor. Animados, decidiram que a aventura precisava ter um destino marcante e um elemento que chamasse atenção. O escolhido foi o carro: um Fiat Uno, comprado um mês antes da viagem. “O Uno representa muito o Brasil. É um carro simples, popular, mas resistente. A gente queria algo que tivesse a ver com a nossa realidade e por isso fui lá e comprei só para poder viajar. Paguei 14 mil confiante de que iria dar certo”, afirmou Vitor. Sem roteiro e com fé nos seguidores O planejamento foi mínimo. A decisão de viajar veio cerca de um mês antes da saída. Eles conseguiram alguns patrocínios locais para preparar o carro e partiram praticamente no improviso. “Não sabíamos onde íamos dormir, nem se conseguiríamos chegar ao Chile. A ideia era viver a experiência com surpresas pelo caminho”, contou Renner. E uma das maiores surpresas foi público que acompanhou a aventura e ajudou a tornar a viagem possível. Durante o trajeto, seguidores enviaram dinheiro, ajudaram com combustível e até ofereceram hospedagem e alimentação. “A galera comprou a ideia. Teve gente que pagou tanque de gasolina, ofereceu lugar para dormir e foi assim que conseguimos seguir viagem”, explicou Renner. Estradas difíceis e desafios inesperados Carro popular levou amigos de Carmo do Cajuru ao Chile Renner Gonçalves/Divulgação A ideia de que todo trajeto seria tranquilo e com paisagens bonitas caiu por terra quando começaram a enfrentar estradas desconhecidas, muitas vezes guiados apenas por aplicativos. “Caímos em trechos com muitos buracos, rodamos quilômetros em estradas ruins e ficamos com medo em alguns momentos". Outro perrengue foi dentro do próprio carro. O Uno não tinha ar-condicionado e, em determinado momento, os vidros elétricos pararam de funcionar. “Ficamos dois dias com o vidro fechado, passando calor dentro do carro. Foi difícil". A comunicação também virou obstáculo quando a dupla entrou na Argentina e depois no Chile. Sem domínio do espanhol, eles enfrentaram dificuldades para se comunicar. Histórias que viraram lembranças Entre os momentos marcantes, um episódio em um hotel simples virou motivo de risada depois do susto. “O dono do hotel falou que a gente tinha que dormir com a porta fechada por causa das ‘palhomas’. A gente não entendia o que era e ficou com medo de ser algum bicho perigoso”, lembrou um dos viajantes. Sem internet para pesquisar, o medo durou até o dia seguinte, quando finalmente descobriram o significado. “Era só ‘pomba’. A gente passou a noite com medo à toa, por conta de uma pomba". Já no Chile, outro detalhe chamou a atenção, o comportamento das pessoas nas ruas. “A gente percebeu que ninguém chamava a gente para entrar nas lojas. Depois vimos que éramos os únicos andando de chinelo. Lá, ninguém usa". Uma viagem que mudou os dois Mais do que o destino, a experiência marcou a dupla pela conexão com as pessoas e pelo aprendizado. Vitor, que acompanhava Renner como apoio, acabou se envolvendo também na produção de conteúdo. “Ele virou meu braço direito. Sempre acreditou no meu sonho e, depois da viagem, também se animou com a internet e agora também vai se tornar influencer ”, disse Renner. No fim, o que começou como uma ideia “maluca” virou uma jornada de superação, criatividade e apoio coletivo. “Se a gente fosse esperar ter tudo certo, talvez nunca sairia. A gente foi sem planejar, sem muitas expectativas e deu certo tudo certo”, finalizou Renner. LEIA TAMBÉM: Bailarino conquista carreira internacional após atuar como dublê em filme pré-selecionado ao Oscar Casal faz sucesso na internet ao mostrar cidades de MG fora dos roteiros tradicionais VÍDEOS: veja tudo sobre o Centro-Oeste de Minas

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